eu admiro
Published on abril 29th, 2009 by admin. Filed under bichos mentais | Nenhum ComentárioAdmiro pessoas que escrevem com paixão.
Me lembro dos primórdios da faculdade, quando entendi porque os jornais de hoje eram mais fáceis de se ler do que os de antigamente. Porque as técnicas de diagramação e, principalmente, os cânones de redação jornalística evoluíram ao longo do tempo para popularizar a leitura dos impressos apesar da nostalgia dos que preferiam os estilos literários dominantes nos jornais da década de 30.
Mas eu nunca entendi uma coisa que me atingiu ontem. Os jornais ficaram mais palatáveis e menos chatos para os leigos, mas perderam a paixão e a profundidade na investigação dos assuntos que tanto atraíam os letrados. E parecia que essa cisão duraria para sempre, minando todas as chances de uma discussão inteligente.
E acho que é por isso que ler jornal pra mim é uma obrigação, mas nem sempre um prazer. Talvez por isso eu goste mais do estilo despojado das colunas do que das notícias, talvez por isso meu interesse tenha mudado definitivamente para me informar através da internet, da multiplicidade de paixões complementares ou mesmo conflitantes, e não do volume de informações técnicas compiladas em título, bigode, lead, texto, conclusão. (nota como o texto parece pequenininho perto das coisas “importantes” que ensinaram na faculdade?).
Então admiro quem, pelo menos em seus espaços próprios, escreve com paixão e sensibilidade, no sentido real da sensação + habilidade de discernimento. E digo isso porque tenho tido gratas surpresas com pessoas e assuntos até pouco tempo muito herméticos pra mim: tenho lido muitos ativistas. Ciclistas, feministas, ambientalistas, evangelistas porque não? Não porque concorde 10%, 50% ou 100% das vezes com eles, mas porque a habilidade no manejo entre o bom-senso informativo e a paixão com que se desenvolvem ao longo de seus temas me atrai. Porque isso é equilíbrio – e eu gosto muito especialmente de estar cercado de pessoas sensatas e equilibradas.
Talvez por isso eu tenha me afastado do blog por tanto tempo – o desequilíbrio pessoal me impediu durante muito tempo de balancear paixão e sensatez para compor os textos que eu punha aqui e no outro blog (www.doisouvidos.com.br) ainda abandonado, coitado. Mas agora eu entendi. Então agora a questão é de foco no equilíbrio, no saudável, no factível e no alcançável. Mas o que não é alcançável?















