mastodontes políticos e nossos cérebros de ervilha

Published on junho 27th, 2009 by admin. Filed under leituras
Article Image

Acabo de terminar o volume de 764 páginas de Domingos Meireles: 1930: os órfãos da revolução. Levei pouco mais de um mês na leitura, dadas as condições atuais de temperatura e pressão; mas fui conduzido de forma tão sutil e impressionante pelo universo político da República Velha que termino a leitura com um misto de “eu já sabia” e o.O.

O autor faz um relato muito impressionante da mentalidade da época, com seus grupos políticos conservadores, opressores, comunistas, militares e das jogadas midiáticas de que todos eram protagonistas em tentativas nada subliminares de se manipular a opinião pública através dos jornais.

Impressionante mesmo foi ver quanto da mentalidade limitada e obscura dos personagens de todos os lados das forças políticas de da década de 20 continuam aí, presentes, firmes e fortes não só no ideário político dos nossos líderes – já que hoje temos sim bons exemplos de homens públicos “da era contemporânea” – mas na mente da população em geral. Nossos colegas de trabalho e de escola, nossos amigos de bar, repetindo hoje como se fossem ainda novas as mesmas desculpas, talvez um pouco mais floreadas pelo tempo, que revestiam as decisões políticas baseadas em interesses pessoais que reinavam no Brasil do Café.

Lá se vão 79 anos dessa história. E a solução ainda parece longe. O livro termina no início dos primeiros 15 anos de poder de Vargas, em 1930, belo gancho pra eu retomar a leitura de Brasil: de Getúlio a Castelo, do Thomas Skidmore.

Meu objetivo é simples: tentar entender como chegamos ao ponto em que chegamos – que caminhos a política e a opinião pública tomaram nos últimos 100 anos que culminaram nas bases políticas e na mentalidade social que hoje temos, ainda que precárias. Meireles foi muito feliz em me passar um panorama multi-partidário da política brasileira no primeiro quartil do século XX. O plano é voltar a ele em “As noites das grandes fogueiras”, sobre o período da Coluna Prestes, passar por Skidmore em sua descrição dos anos de 30 a 86, contrastá-lo com Gaspari na sua releitura da ditadura, e aí partir para os anos da redemocratização. Haja tempo!

About admin

Leave a Reply

Copyright © 2010 o homem, omito…

CSS Template By RamblingSoul | WordPress Theme by Theme Lab and Best Hosting.