Pensando nesses casos eu sempre volto a um passo em que os cristãos costumam se confundir.
O caráter é uma construção educacional do dia-a-dia. A tolerância e o respeito à diferença são exercícios diários também, e é ótimo que o cristianismo os tenha em alta conta – mas eles NÃO são invenção nem dos cristãos nem de nenhum outro grupo religioso.
E essa diferença “sutil” no jogo “Ovo X Galinha” é fundamental pra entendermos por que as pessoas agem assim em situações extremas como essa da Nigéria, ou onde quer que tenha havido violência, étnica, religiosa, racial, de gênero ou qualquer outro tipo. Esses lugares têm história e tem um povo que precisa aprender a lidar com ela – independente de sua religião.
A Alemanha talvez seja o melhor exemplo de como um estado laico lidou (por 2 vezes e continuamente) com a reconstrução da sua identidade rachada – compreendendo que os rótulos (judeus, turcos, comunistas, cristãos, arianos, negros, homossexuais, latinos, etc, etc.) são metáforas que descrevem a origem ou a orientação, mas NÃO a essência do ser humano. Interessante que a luta dos países europeus continua pela diminuição da imigração “descontrolada” e passa pelo enrijecimento constante das suas regras de fronteira, mas não mais pelo questionamento da moral ou da humanidade do outro.
Lendo seu texto, me lembrei imediatamente de um outro que li há mais tempo, também na África, dessa vez sobre o genocídio em Ruanda e as formas que o governo e a população têm de lidar com a história que eles nunca deixarão de ter: (http://su.pr/4z5UwY) – é um caso muito “menos feliz” do que o da Nigéria, mas faz só 15 anos que a coisa aconteceu, não deixo de pensar que eles estão no caminho.
tá… eu sei que isso não funciona… nunca que eu tentei escrever pra esvaziar a cabeça eu consigo encher uma página… desse jeito não dá pra esvaziar nada… mas enfim… pelo menos hoje eu começo com esperança, e não com o sentimento de que não vai dar certo…
meu problema é que eu vou ser contratado… a partir de segunda-feira, 1 de março de 2005, eu terei, oficialmente, o meu primeiro emprego. Carteira assinada e tudo. O salário é ótimo… Os benefícios melhores ainda. Meu chefe gosta de mim, a empresa gosta do meu trabalho… muita gente gosta do meu trabalho. Ótimos motivos para se estar bem…
O problema é que… eu travo… se gostar demais de mim, eu travo. Nada que seja mais aterrorizante do que aquelas telas azuis do windows… aliás… acho que por mais que eu goste de macs, meu sistema operacional orgânico é windows mesmo – lindo, super funcional… mais cheio de bugs, paus, travadas, trojans, virus e telas azuis. Em geral, a sensação é que seria simples… simplesmente reiniciar a máquina e estaria tudo certo de novo… Mas humanos, até onde eu sei, não incluem botões reset. É uma pena… seria ótimo poder resetar a mãe, o pai, a namorada, o melhor amigo ou mesmo aquele seu amigo virtual que você até hoje só conhece através do Orkut e do MSN e que de vez em quando te pela o saco. Botões por botões, acho que os humanos só tem botões vermelhos… São lindos, e a gente morre de vontade de apertar, mas causam um estrago. Com grandes possibilidades tendentes ao o caos mundial…
Por exemplo. Enquanto eu escrevo esse texto, em uma sexta-feira, às 20h30, depois de matar a primeira aula porque não ia suportar ver a cara do professor, depois de uma semana infernal que comecei perdendo uma reunião na segunda-feira pela manhã e terminei tendo trabalhado mais horas do que um estagiário racional (existirão eles?) deveria, eu simplesmente encontro tempo e disposição pra dar um tempo na escrita e ir checar meu email do trabalho. Acho que não bastasse ter botões vermelhos, o ser humanos gosta mesmo é de aperta-los e ver o circo pegar fogo. Ainda bem que não havia nada de novo. Sabe-se lá o que aconteceria se houvesse. No mínimo eu iria passar o fim-de-semana, que já vai ser de muito trabalho, ainda preocupado com alguma nova reunião, alguma nova recomendação ou alguma nova ação da qual eu só deveria ficar sabendo na segunda-feira. Sim. Antes mesmo de meu arco-reflexo me levar à página virtual da empresa, eu já sabia que isso poderia acontecer. Um dia desses eu devia experimentar S&M… Vai que eu tomo gosto pelas roupas de couro… Pronto… um texto que começou para esvaziar a cabeça do escritor está agora se tornando uma bíblia que mistura práticas sexuais inusitadas, programas de computador, família e problemas pessoais devidos ao acúmulo de trabalho e de disposição para o trabalho.
Como é que alguém pode ser um workaholic? Trabalho não deveria ser aquele tempo interminável que a gente passa antes de poder fazer o que realmente gosta?
esse texto é um achado. datado de 25 de fevereiro de 2005, foi achado por uma expedição arqueológica nas minhas caixas de e-mail. me invocou um sorriso lateral…
Já dei algumas entrevistas a revistas (Ragga, pág 34), jornais (Estadão, pág L2, Pampulha e Portal Uai) e até na televisão sobre a minha participação no Couchsurfing.org, mas acho que nunca falei sobre ele aqui, talvez porque boa parte das pessoas que me lêem conhece a relação que criei com as pessoas que conheci e as experiências que tive a partir do dia que resolvi participar dessa mudança do mundo, um sofá de cada vez. Enfim, basta saber que eu trabalho de graça pra eles e dar uma lida no meu perfil lá pra entender que tipo de envolvimento eu tenho com a coisa.
Mas hoje eu me deparei com um vídeo (do Arrudas, abaixo) que me lembrou de uma das coisas fundamentais que eu aprendi depois que passei a me encontrar com viajantes de passagem por BH. A forma como vemos, usamos e vivemos a nossa cidade influencia radicalmente a visão que temos dela, na nossa satisfação em fazer parte desse ecossistema.
Vivemos em um tempo de cidades fechadas; de casas com grades e muros, de carros com janelas fechadas e escuras, de cidadãos de óculos escuros cada vez maiores, de praças onde é proibido sentar-se na grama e parques onde é proibido andar de bicicleta. Nas grandes cidades, chegamos a uma situação em que o contato é considerado algo ruim; o contato com a rua, com o ar, com o desconhecido é algo que aprendemos que deve ser evitado. Andar a pé é considerado perigoso. À noite, proibitivo. Desaprendemos a ver a cidade, a usar o espaço e a viver sem proteções desnecessárias.
Como que automaticamente, passamos a considerar que a rua é o espaço dos carros, e não dos pedestres e ciclistas. As faixas de pedestres viram se tornam meras “concessões” da cidade à grande maioria que anda à pé. É inegável. De dentro dos carros, dos apartamentos e das mentes fechadas, todas as cidades têm encantos, exceto a que se vive.
Somos instigados a negar ou a não aprender que as praças da cidade são lugares de convivência, não só na inauguração das luzes de natal. Ao mesmo tempo, somos incentivados a não enxergar que os rios e a lagoa, mesmo canalizados ou artificiais, ainda são água corrente, igual às que a gente vê fora daqui. Tudo que nos lembramos é que a cidade é suja, e o contato com a sujeira é ruim. Esquecemos que por baixo da sujeira e da fuligem dos motores, existem paredes e pisos com cores, com história e, por que não, com arte?
Onde foi que aprendemos tudo isso eu não sei. Sei que foi com os “forasteiros” aqui que aprendi a ver, viver e usar a minha cidade, do jeito que ela é mesmo: minha, real. Com o contato físico do pé no chão e com o contato humano da rua. Acho que sou mais feliz assim. Obrigado!
Já notaram que a praça do papa tem formato de sorvete de creme com calda de morango? )
Não se fala de futuro sem falar de internet. Mas na discussão de jornalistas e diplomas às vezes confunde-se o futuro do Jornalismo com o futuro dos Jornalões e Jornalecos.
La crisis económica y la revolución de Internet ponen duramente a prueba la industria periodística. Nadie sabe qué va a ocurrir, pero cada vez hay más lectores y los expertos creen en el futuro del periodismo.
Na contramão dos defensores do diploma, o El País traz à tona uma realidade cada vez mais clara: há cada vez mais espaço para pequenos editores/jornalistas e cada vez mais possibilidades de falar/escrever e ser ouvido/lido; e há cada vez menos espaço para mamutes engolidores de dinheiro como as grandes publicações.
Em uma reportagem de leitura deliciosa (coisa rara hoje em dia), o El País mostra um quadro com revolucionários, reacionários e pessoas simplesmente confusas, todos atrás da solução dos problemas do jornalismo, não só o de dinheiro, mas também os de qualidade, credibilidade, influência, abrangência e alcance.
La irrupción de la world wide weben el antiguo imperio del periodismo ha provocado incertidumbre y confusión, sin que nadie tenga muy claro si la toma de esta Bastilla debe de ser motivo de esperanza o de desesperación. El consenso sólo existe alrededor de una gran contradicción: que vivimos en el mejor de los tiempos para el periodismo, y también en el peor.
Ao que me parece, o futuro do jornalismo segue a linha industrial lean: fazer cada vez mais, com cada vez menos gente concentrada na mesma tarefa, com cada vez menos recursos financeiros e cada vez menos tempo. E é aí que entra o papel do novo jornalista: ganhar dinheiro.
A idéia de fazer jornalismo pensando em ganhar dinheiro é real, muito mais real do que o jornalismo “imparcial”, essa ilusão que nos enfiam goela abaixo todos os dias. Foi pra ganhar dinheiro que os jornais se constituíram da forma como estão hoje. E é pra ganhar dinheiro que os novos jornalistas, menos preocupados com o diploma do que com a qualidade da sua produção, re-inventarão o jornalismo aproveitando-se da multiplicidade de opiniões e da facilidade de acesso cada vez maior oferecida hoje.
Está dada a largada: jornalistas ou não, interessados no futuro da informação, lado-a-lado. Ganhará a indústria jornalística, quem quer que seja o vencedor da disputa: um jornalista diplomado, defensor da sua causa como melhor profissional, ou o outsider que salvou o negócio da comunicação.
E se por acaso o destino reservasse a um engenheiro, ou um astrônomo ou um professor de educação física ser o descobridor da nova arte sustentável de informar com qualidade, abrangência e rentabilidade, seria no mínimo uma injustiça não tê-lo em conta como um excelente jornalista.
Na semana em que o mundo está de olho em tudo que tem o nome de Michael Jackson, a rádio Studio Brussel, da Bélgica, deu um olé nas agências de web do mundo inteiro com uma idéia que não pode ser descrita senão como genial, o Eternal Moonwalk: www.eternalmoonwalk.com
O que eles fizeram não é nada simples – mas pode ser descrito numa lista rápida de ítens que eles, intuitivamente ou não, mas muito competentemente seguiram:
Pra que as pessoas se interessem:
Crie ou aproprie-se de um fato realmente relevante para o usuário;
Tenha uma boa idéia (sim, depois do fato);
Crie um nome fácil. auto-explicativo e internacional;
Faça uma execução simples e bem-acabada, sem arestas e sem restrições de browsers;
Pra que as pessoas usem:
Ofereça controles ridículamente simples e intuitivos. O mesmo número de botões de um liquidificador;
Dê ao usuário uma chance não só de participar, mas de criar junto. Ele está lá por causa de MJ não por sua causa;
Ensine-o os passos básicos em meia-dúzia de palavras e em no máximo 30 segundos. E não espere que ele os siga;
Deixe que o usuário se aproprie da sua criação, colocando o nome e a identificação que ele quiser;
Dê a ele todas as formas possíveis e imagináveis de mostrar a sua criação pros outros. Você quer se auto-promover, ele também;
Pra que a ação continue:
Não seja ganacioso: colete apenas os dados básicos. Seus usuários te darão mais dados se quiserem;
Crie as regras fundamentais de participação. Três são suficientes;
Tome os cuidados legais para se proteger. A internet é um mar de espertinhos;
Agradeça seus patrocinadores. Manter um serviço na web pode ser muito caro. Você depende deles;
Pra que a ação se espalhe:
Dê ao seu usuário um motivo real para usar e indicar a sua ação. Pergunte às pessoas normais o que elas acham daquilo – se você precisar explicar, volte ao princípio da lista;
Use seu poder de broadcast. Não dependa do boca-a-boca. Se você pode, bote a boca no mundo;
Coloque seu nome de forma visível, mas nao mate a marca. Sua ação é mais importante que você. E seus potenciais clientes vão entender e valorizar isso;
Outra ação sensacional que ilustra um seguimento à risca dessa listinha, mas em prol de um objetivo comercial: www.milcasmurros.com.br