ainda sobre a barbárie, não na Uniban, mas em todos os lugares

Published on novembro 12th, 2009 by admin. Filed under comunicação, leituras
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Com o risco de incorrer em exagero, acho tudo parecido com tudo. O sujeito que diz besteiras a uma moça que caminha na rua, o playboy que agarra a garota na balada, o cara que se esfrega na mulher do trem, o marginal que insulta a moça da Uniban. Tudo faz parte de um mesmo contínuo de desrespeito à mulher. Ele começa com o chato do bar, que insiste na cantada apesar de meia dúzia de nãos, e termina… Sabe-se lá onde termina.

Claro, todo comportamento social tem uma justificativa ideológica. Neste caso, a justificativa é a de que as mulheres gostam. Se você perguntar, vai ouvir dos conquistadores que, lá no fundo, elas querem ser assediadas, agarradas, elogiadas com bastante pimenta. Faz bem para o ego delas, explicam. Claro, por trás de todo grosseirão há sempre um especialista na alma feminina. Mas eu suspeito que eles estejam errados.

Retirado de: Cantadas ofendem – Ivan Martins

Não consigo ficar confortável. A sensação é que de algum lugar, vai sair alguém gritando barbaridades para mim. E não importa que não sou mais adolescente, que sou adulta, que já dei bordoada em cara sem noção, que sei gritar por socorro, que sou ativista e que cresci para ser mulher com orgulho e diante de tudo. O medo ainda me impede de sair na rua usando um vestidinho florido, desses que fazem pensar em filmes italianos e crianças.

Por isso eu sei que um crime contra uma mulher é um crime contra todas as mulheres.

Retirado de: Senhor piedade, senhor piedade… pra essa gente careta e covarde

Ambos são trechos de ótimos textos que li ultimamente sobre o episódio Uniban. Em geral, me supreendeu a quantidade de textos ruins, insensíveis ou simplesmente mal-direcionados, que sempre – invariavelmente no caso da imprensa – acabavam por discutir o tamanho da saia da menina, como se esse fosse um fator de alguma relevância.

Esse episódio me deixou um tanto perplexo; temos muito ainda que progredir como sociedade pra que coisas assim deixem de acontecer.

De resto, como bem disse o Juliano Spyer, fica uma lição em tempo real de como não gerenciar uma crise de imagem em tempos de internet.

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