As campanhas eleitorais americanas costumam ser mais divertidas que as nossas. Pelo menos lá eles gostam bem mais do estilo “agressive” (não traduzir por agressivo), como no célebre slogan criado pela campanha de Bill Clinton em 1992: “It´s the economy, stupid!”
Repetido à exaustão, o slogan é uma forma de dizer: concentre-se no que é importante, ao invés de perder tempo com causas inúteis. Em 1991 era Clinton contra a primeira guerra do Golfo; em 2008 era a imprensa obamista contra John McCain – e no #diadorp 2009 eu resolvi usar a mesma tática contra o discurso vazio de valorização da profissão.
Eu já tinha pensado em escrever sobre isso antes, mas acabei rascunhando um texto em 30min na noite do dia 2, tentando juntar em um lugar só tudo que eu pensava sobre essas coisas. Algumas ficaram bem explicadas, outras precisaram de debate nos comentários, e uma característica específica e muito importante eu guardei pra explicar nesse post, justamente a questão central da forma do discurso.
Em tempos de mídias sociais, meu textinho acabou rodando bastante por aí e alçou as visitas desse humilde blog a muitas vezes o seu tráfego normal.
Em tempos de eleições 2010 todo o mercado de comunicação está voltado para as possibilidades que a internet trará para as campanhas. Acontece que muita gente desse mercado está comprando mídias sociais, estudando e aprendendo a fazer descentralização de conteúdos, coletar microdoações, criar ações que viralizem rapidamente e todas as outras ferramentas que deram certo e nisso está achando que automaticamente vai ganhar um Obama de brinde; mas infelizmente isso não vai acontecer.
O que fez todo o case das eleições americanas no ano passado não foram as mídias sociais, não foi a hashtag #yeswecan, não foi o blog nem o youtube, mas a estratégia política por trás; o “change movement” tem muito mais a ver com novas formas de usar as tecnologias mais primitivas: discurso e posicionamento.
Durante sua campanha, Obama soltou uma frase sobre a crise econômica que explica bem a minha posição nesse debate:
“The notion that we would want to brush that aside and engage in the usual political shenanigans and smear tactics that have come to characterize too many political campaigns is not what the American people are looking for.”
Parafraseando em bom português: deixar de lado as questões centrais de competitividade, preparação, formação e competência e continuar batendo na mesma tecla de “valorização” de 40 anos atrás e continuar tolerando o denuncismo barato incentivado pelos CONRERPs para multar profissionais por “exercício ilegal da profissão” é o discurso fácil e que funcionou dentro da categoria ao longo do tempo, mas não é o que o mercado está procurando. Tanto não é que não está funcionando.
Em uma economia capitalista, com todos os seus defeitos e qualidades, o mercado é soberano; e soberanos são egoístas: não costumam se curvar para pedidos que não os beneficiem diretamente. E talvez seja essa a grande lição de Obama para os Relações Públicas brasileiros. Se o seu discurso não funciona, a culpa não é da audiência; é sua estratégia que está errada.
Quando os nossos profissionais deixarem de apontar tanto para o próprio umbigo dizendo “olhe pra mim, eu sou Relações Públicas, eu sou importante, sou um profissional estratégico” e começarem a procurar no mercado a resposta para a pergunta “por que não somos valorizados?”, talvez a resposta e a mudança de comportamento sejam muito mais visíveis. Quando começarmos a nos perguntar por que a secretária tem mais acesso a informações estratégicas, por que a área de comunicação está nas mãos de um engenheiro ou por que o budget vem caindo nos últimos anos, talvez as respostas sejam muito mais elucidativas.
Como eu disse no post anterior, empresas não gostam mesmo de RPs, elas gostam de dinheiro. E se a secretária ou o engenheiro é que estão fazendo esse dinheiro, é porque eles tem alguma característica que você ainda não aprendeu.
Ao invés de fazer discursos e campanhas pela valorização da profissão, por que não aprendemos a fazer discursos que emocionem as pessoas e os mercados porque tocam nos pontos que interessam a eles muito mais do que a nós? Fazendo assim, o twitter, os blogs, o youtube e todo o resto simplesmente seguirão a linha. Aqui embaixo tem um belo estudo de caso:
Edit: esse outro discurso explica bem detalhadamente e extremamente bem o que eu quis dizer. Serão 37min muito bem gastos pra quem se aventurar:
Quando estive na Europa, cada lugar me chamava a atenção por um motivo diferente, claro. Mas sem sombra de dúvida, os lugares que mais me intrigaram, que mais me atraíram os que eu mais quero voltar foram os imperfeitos. A Alemanha, com o muro ainda pichado e palavrões nas paredes,
No pé do muro tem uma plaquinha azul e branca escrito "Denkmal". Sim, aquilo é um monumento.
com inscrições como “baut die mauer wieder – construa o muro de novo” em frente a um museu nos escombros do prédio de comando do III Reich chamado “topografia do terror”. Juro que me senti “em casa” quando desci na estação de trem em Praga, suja, fedida, pichada em russo; ali eu tive orgulho da rodoviária de Belo Horizonte – mesma sensação na estação de Budapeste e no subúrbio de Zagreb.
Lugares imperfeitos tem “cheiro” de casa; de lugar onde moram seres humanos de verdade – não a família modelo que todo mundo quer que acreditemos que os europeus são; maldito complexo de cachorro esquecido na mudança. Claro que isso não é desculpa pra grosserias, uma vez que educação e gentileza são qualidades humanas, não étnicas ou urbanísticas. Infelizmente, em alguns lugares simplesmente não conseguimos nos encontrar com as pessoas que dariam vida à cidade em que vivem – aconteceu isso comigo em Buenos Aires, de onde tenho poucas boas lembranças, apesar de tudo.
Tive a mesma experiência que tanta gente em um supermercado na alemanha – tentar de todas as formas ser compreendido, rir, e enfrentar a cara feia do outro lado, como quem diz “é sua obrigação falar alemão”. Mas foi totalmente diferente quando cheguei em Bratislava e, na mesma situação, em uma banca de revistas, a moça que me vendeu os bilhetes de Tram ria tanto junto comigo que ficou marcada como um dos pontos altos da viagem – o idioma da conversa deve ter sido algo como Portuslovaco.
Acho uma pena que o meu olhar destreinado daquela viagem, nos idos de abril de 2007, não tenha captado esses momentos com a minha câmera, ou com mais atenção. Tenho centenas de fotos de monumentos e parques lindos de ver, mas a sensação de humanidade, tanto a boa como a ruim, ficou só na minha memória e em 3 ou 4 fotos…
É o subúrbio de Zagreb, mas poderia ser o de Belo Horizonte
comentário postado no fórum do CouchSurfing Belo Horizonte, a respeito da discussão sobre o caso Uniban (mais sobre o caso aqui e aqui, tem muita coisa falada sobre isso na internet, mas não sei quantas valem a pena linkar.)
Nenhum nível de desrespeito passivo (como o que se poderia dizer que foi o dela) justifica a violência. E a partir do momento que a resposta é violenta, o agressor perde todo e qualquer direito que poderia ter.
O que fica mais forte pra mim, desse caso, é que as pessoas realmente acreditam que por ter um comportamento diferente do “padrão” o outro cede ao público o direito de tratá-la como bem entender, com toda a violência que quiser – como se a estivesse recusando o status de “ser humano”, de “pessoa respeitável” – como se o respeito viesse do comportamento padrão, e não dos direitos fundamentais da pessoa. É esse entendimento que está por trás de quem afirma que ela mereceu, ou pior, pediu pra ser insultada.
depois do comentário, o marcelo me chamou à atenção para os termos, com razão:
Admito, errei em dizer que a pessoa “perde todo e qualquer direito que poderia ter”. Na verdade o que eu quis dizer é que quando a resposta a um ato passivo vem carregada de violência, o assediador perde o direito (no senso comum do termo, não no legal) de dizer que desaprova o ato que gerou a violência.
Minha defesa é da idéia que, de qualquer forma, mesmo que ela tivesse cometido um crime, mesmo que ela tivesse ido nua, isso não justificaria a resposta violenta. Justificaria que alguém chamsse a polícia, não que a “turba” tentasse a própria justiça.
E esse não foi o caso, já que os alunos, pelos relatos, não estavam procurando justiça, e sim fazendo um julgamento e um linchamento moral por conta própria (fruto da mentalidade que a mulher “vulgar” é um ser inferior que eu discuti na msg anterior) – não consigo pensar que isso seja resultado de eles se sentirem desrespeitados, e sim de eles se sentirem mais dignos de respeito do que a moça. Nada menos verdadeiro, como se vê.
No sentido legal, os cometedores de crimes perdem sim alguns direitos, não todos, mas o direito à liberdade é o mais claro deles. No caso dos alunos, acredito que no mínimo eles perderam o “direito” (de novo no sentido popular) ao respeito às suas opiniões. Se não são capazes de respeitar o comportamento alheio, como poderiam pedir respeito ou invocar direitos (que não os seus fundamentais: à vida, à saúde, etc)?
Não sei dizer se ela infringiu a lei ou não, principalmente num contexto social em que as prostitutas não são presas por atentado ao pudor e o carnaval permite pessoas seminuas ou apenas com os genitais tapados. Nesse contexto, acho difícil sustentar que a roupa, qualquer que fosse, seja uma forma de desrespeito ativo.
A única explicação para a reação reside no fato de que ela estava na universidade, e não em lugares onde a hipocrisia da sociedade “toleraria” tal comportamento que seria “ignorável” ou “aceitável” como numa esquina escura ou na praia/clube (respectivamente).
Foi em nome dessa hipocrisia que as pessoas se sentiram no direito de reivindicar uma punição – ou provocá-la eles mesmos – não por se sentirem desrespeitados no seu direito de não sofrerem “atentado a seus pudores”.
Esse assunto me deixou trise, muito triste.
[Update: 1h01 - tem mais um texto bacana aqui, acho que os únicos textos que valem a pena sobre esse episódio (até agora eu já li uns 10 ou 12 pelo menos), são os que foram escritos pensando no lado humano da coisa, não nos centímetros. Infelizmente, os que falam dos centímetros ainda são maioria, nos jornais e na tv inclusive. ]
admito, errei em dizer que a pessoa “perde todo e qualquer direito que poderia ter”. Na verdade o que eu quis dizer é que quando a resposta a um ato passivo vem carregada de violência, o assediador perde o direito (no senso comum do termo, não no legal) de dizer que desaprova o ato que gerou a violência.
minha defesa é da idéia que, de qualquer forma, mesmo que ela tivesse cometido um crime, mesmo que ela tivesse ido nua, isso não justificaria a resposta violenta. Justificaria que alguém chamsse a polícia, não que a “turba” tentasse a própria justiça.
E esse não foi o caso, já que os alunos, pelos relatos, não estavam procurando justiça, e sim fazendo um julgamento e um linchamento moral por conta própria (fruto da mentalidade que a mulher “vulgar” é um ser inferior que eu discuti na msg anterior) – não consigo pensar que isso seja resultado de eles se sentirem desrespeitados, e sim de eles se sentirem mais dignos de respeito do que a moça. Nada menos verdadeiro, como se vê.
No sentido legal, os cometedores de crimes perdem sim alguns direitos, não todos, mas o direito à liberdade é o mais claro deles. No caso dos alunos, acredito que no mínimo eles perderam o “direito” (de novo no sentido popular) ao respeito às suas opiniões. Se não são capazes de respeitar o comportamento alheio, como poderiam pedir respeito ou invocar direitos (que não os seus fundamentais: à vida, à saúde, etc)?
Não sei dizer se ela infringiu a lei ou não, principalmente num contexto social em que as prostitutas não são presas por atentado ao pudor e o carnaval permite pessoas seminuas ou apenas com os genitais tapados. Nesse contexto, acho difícil sustentar que a roupa, qualquer que fosse, seja uma forma de desrespeito ativo.
A única explicação para a reação reside no fato de que ela estava na universidade, e não em lugares onde a hipocrisia da sociedade “toleraria” tal comportamento que seria “ignorável” ou “aceitável” como numa esquina escura ou na praia/clube (respectivamente).
Foi em nome dessa hipocrisia que as pessoas se sentiram no direito de reivindicar uma punição – ou provocá-la eles mesmos – não por se sentirem desrespeitados no seu direito de não sofrerem “atentado a seus pudores”.
Pensando nesses casos eu sempre volto a um passo em que os cristãos costumam se confundir.
O caráter é uma construção educacional do dia-a-dia. A tolerância e o respeito à diferença são exercícios diários também, e é ótimo que o cristianismo os tenha em alta conta – mas eles NÃO são invenção nem dos cristãos nem de nenhum outro grupo religioso.
E essa diferença “sutil” no jogo “Ovo X Galinha” é fundamental pra entendermos por que as pessoas agem assim em situações extremas como essa da Nigéria, ou onde quer que tenha havido violência, étnica, religiosa, racial, de gênero ou qualquer outro tipo. Esses lugares têm história e tem um povo que precisa aprender a lidar com ela – independente de sua religião.
A Alemanha talvez seja o melhor exemplo de como um estado laico lidou (por 2 vezes e continuamente) com a reconstrução da sua identidade rachada – compreendendo que os rótulos (judeus, turcos, comunistas, cristãos, arianos, negros, homossexuais, latinos, etc, etc.) são metáforas que descrevem a origem ou a orientação, mas NÃO a essência do ser humano. Interessante que a luta dos países europeus continua pela diminuição da imigração “descontrolada” e passa pelo enrijecimento constante das suas regras de fronteira, mas não mais pelo questionamento da moral ou da humanidade do outro.
Lendo seu texto, me lembrei imediatamente de um outro que li há mais tempo, também na África, dessa vez sobre o genocídio em Ruanda e as formas que o governo e a população têm de lidar com a história que eles nunca deixarão de ter: (http://su.pr/4z5UwY) – é um caso muito “menos feliz” do que o da Nigéria, mas faz só 15 anos que a coisa aconteceu, não deixo de pensar que eles estão no caminho.
1. Se a Fenaj quiser realmente fazer um bem ao país, vai seguir o exemplo da Ordem dos Advogados do Brasil (a quem apela toda vez pra se posicionar sobre o assunto) e implementar uma avaliação muito mais completa do que “com diploma, sim, sem diploma, não”,pra determinar que pode ostentar seu registro de Jornalista Profissional. Com um exame teórico/prático/contínuo bem estruturado, a rixa dos diplomas seria facilmente esquecida.
2. Depois ela pode seguir o exemplo do Conselho Federal de Medicina (a quem se compara em termos de “especialização” da profissão) e levar muito a sério os processos abertos em relação ás más-práticas jornalísticas. O que teria de jornalista perdendo o registro por aí, não tá escrito.
3. Aí ela podia aproveitar a deixa pra incentivar a modernização (eufemismo pra “corrida atrás do prejuízo”) não só dos cursos de jornalismo, mas das redações em geral. Não bastasse a lambança discursiva da briga contra o blog da Petrobrás, que misturou alhos com bugalhos e subverteu inexplicavelmente o próprio código de ética dos Jornalistas em todo o seu Capítulo I, os novos desafios do Jornalismo estão aí e a briga vai ser cada vez mais feia daqui pra frente.
Ainda tá pra aparecer a empresa que entendeu de uma vez por todas como ganhar dinheiro com jornalismo na Internet. E o mercado é cruel, mas é soberano. Portanto, meus senhores, o diploma já caiu – muito antes do STF ter lhe dado o tiro de misericórdia. Voltar nessa discussão é bobagem. Andando pra frente é que a gente constrói o que vai ser da comunicação do futuro.
MJ morreu faz tempo. E fomos nós que o matamos. Nós no sentido amplo, sabe? We, the people.
Uma das coisas que me anima ao ver a mudança do mercado de Hits do passado pro mercado de nichos do século XXI é que talvez essa nossa obsessão pela vida alheia, e consequentemente a fixação da mídia de massa em criar fatos pra sustentar a nossa obsessão, diminua um pouco.
Pra mim, MJ foi “a” vítima de um sistema cruel de julgamento onde ele era o réu e não podia fazer nada. Talvez Madonna tivesse seguido o mesmo caminho; talvez ela tenha tido mais estrutura pra “aguentar” o tranco.
Mas eu me imagino como seria viver na pele dele, sabe, Iana? Imagine um pesadelo em que o seu dia ruim se repete todos os dias e nada que você tente faça melhorar.
Concordo com você que esse é o real motivo pra se chorar. Só acho muito pesado jogar a culpa toda em cima da falta de estrutura dele. Como se a culpa da morte fosse do apedrejado e não do lapidador.
40 anos de holofotes não são pra qualquer um – e olha que ele aguentou até bem os primeiros 30.
Há muito tempo eu não lia algo tão lúcido em matéria de comunicação interna em momentos crise, para empresas de todos os portes. Saiu em marçona Revista Amanhã, uma entrevista com Analisa Brum, diretora da HappyHouseBrasil.
Nesse momento, mais do que gerar muita informação, precisamos nos municiar de comunicação focada, com qualidade e massa específica, que é a única que vai segurar a nossa defesa frente a este cenário.
O Portal AMANHÃ traz a íntegra da entrevista com a consultora Analisa de Medeiros Brum publicada na edição de março. Para a diretora da HappyHouseBrasil, em tempos de más notícias, a comunicação com empregados exigirá muito dos líderes
Por: Eugênio Esber / Redação de AMANHÃ
Como desembrulhar um pacote de medidas duríssimas em plena época de Natal? Aliás, fazer ou não fazer a festa de confraternização? Em fins de novembro, esses e outros dilemas tumultuaram a agenda de companhias acostumadas a distribuir agrados inesquecíveis a seus funcionários. Foi um período especialmente tenso para Analisa de Medeiros Brum, fundadora da HappyhouseBrasil, uma agência que cuida do relacionamento das empresas com seu público interno. Ao mesmo tempo em que precisava tomar decisões sobre sua própria empresa e os 70 funcionários que trabalham na sede, em Porto Alegre, Analisa tinha de orientar seus clientes – entre eles, mamutes corporativos como Vale e Gerdau, além de Amanco, Braskem e Brasil Telecom, entre outras companhias. Autora do primeiro livro publicado no Brasil sobre endomarketing, tema que já lhe rendeu cinco outro títulos desde 1994, expõe nesta entrevista a AMANHÃ muito do que disse a seus clientes e do que pôs em prática na sua agência em meio ao vendaval do final do ano passado. A conversa, publicada em parte na edição 251 de AMANHÃ, de março, pode ser lida agora na íntegra. Confira.
em resposta ao texto eles falam, nós falamos em uma das minhas melhores descobertas na internet nos últimos tempos… tema: censura
lu,
seu texto é denso… como o assunto. tive inclusive que reler umas partes, mas ele tá muito bem encadeado. esse é um assunto que sempre me assaltou, sabe? e não me lembro de ter nunca discutido isso on, nem offline.
fato é que sempre me pareceram muito estranhas as tentativas de censura oficiais, inclusive as legitimadas ainda hoje por estados democráticos, como a proibição de formação de partidos nazistas na áustria e alemanhã ou mesmo a proibição de uso de “linguagem ofensiva” aqui ou em qquer país. Não porque eu ache que é deveria ser legal (ou ilegal) ser nazista, homofóbico, racista ou anti-qualquer-coisa, mas sim porque em geral, fico com a impressão de que a legislação é feita para colocar limites na expansão do pensamento – claro, como forma de coibir a ação: mas ela tenta justamente na esfera onde ela nunca vai conseguir agir.
de certa forma, ligo isso com a idéia do post da marjorie sobre bater para educar. Não podemos deixar de lado o fato de que os nossos legisladores são os mesmos que cresceram com essa idéia da repressão violenta, que faz, pela força, com que as pessoas guardem seus sentimentos e ações para si ao invés de compartilha-los com o mundo – assim como não podemos negar que certas formas dessa legislação ainda se fazem justificadas, uma vez que abrem o caminho pra opinião pública em assuntos que antes simplesmente não entravam em pauta.
E é aí que a minha incrível capacidade de ser otimista entra: nós estamos vivendo uma época de compartilhar. Da valorização da educação compartilhada com o diferente. E eu acredito muito na idéia da educação através do compartilhamento de experiências – em que você não precisa se forçar a deixar de pensar ou de sentir nada porque é “errado”; basta colocar-se em contato com o mundo com uma visão auto-crítica e fazer a matemática no final de cada dia.
Felizmente, eu vejo a nossa pirâmide etária e enxergo que os legisladores dos mandatos eleitos dentro de 12 a 18 anos serão justamente os garotos que hoje tem 12 a 18 e que estão reinventando a comunicação interpessoal, a criação colaborativa e as formas de relações humanas através da internet. São justamente eles os que estarão participando diretamente da vida política do país até lá. Dá até pra ser mais otimista (!) e dizer que esses moleques tão com 2 carros de vantagem por causa do tamanho da novidade que eles criaram e que ninguém vai conseguir imitar: é preciso nascer (ou se educar) assim.
ps: estou muito, muito feliz de ter conhecido os seus textos, da aline e da marjorie nesse último mês; vocês estão fazendo um nerd um tanto mais feliz com tanto raciocínio compartilhado!
ps2: juro que um dia aprendo a arte da concisão…
to tão feliz de ter voltado a atualizar o blog com um mínimo de cuidado que resolvi botar em prática outro plano que eu já tinha há um tempo.
esse espaço aqui serve pra mostrar pros meus 2 leitores o que eu penso – só que boa parte do que eu penso tá mais fácil de ser encontrada no google do que aqui, porque pensar é uma atividade solitária, mas discutir é coisa de se fazer em conjunto. Então, vou começar a postar aqui os meus comentários ligados a discussões relevantes que estejam acontecendo na internet. Aqui vai dar pra ver o que eu penso, e com o link, quem quiser acompanha mais o que acontece. Simples né?
essa semana tem dois. um acabou entrando ali embaixo, no dia 9 (que foi o dia que eu comentei) e o outro vem aqui em cima…