entrevista ao Portal RP-Bahia

EDIT – 9/12/2009 :: 22h50.

Nunca é demais reforçar: como forma de preservar a idoneidade e independência das instituições para as quais presto serviços, ressalto que todas as opiniões expostas nesse blog e na entrevista são de minha única autoria e responsabilidade, não representando a posição de nenhuma das instituições envolvidas, direta ou indiretamente.

feliz dia do RP?

Só fui me lembrar agora, às 23h15 que hoje, dia 2 de dezembro era dia das Relações Públicas e tinha blogagem coletiva, pq eu vi isso em algum lugar. Acho que talvez no Prezados Colaboradores, no Comunicação com funcionário, ou no Blog do Gaulia, mas não estou certo. Foi graças ao twitter de @danielavalverde, curitibana que tenho acompanhado desde sei lá quando, coisa dessas redes que criam interações mas em geral não criam histórias.

Maldita mania essa de comemorar dias específicos pra coisas desimportantes.

Tenho uma carteirinha do CONRERP-MG com o registro número 2172, o que me credencia a me identificar como profissional de Relações Públicas, ao passo que a grande maioria das pessoas que um dia me ouvir pronunciar essa frase me perguntará: e daí?

Pode ser pelo fato de que eu considero o trabalho da Margarida Kunsch um tanto overrated, pode ser porque não gosto de defesas vazias como essa do O Cappuccino:

Então, se não mudarmos a forma como o mercado brasileiro enxerga os profissionais de Relações Públicas estaremos fadados a sermos substituídos por profissionais de outras áreas da comunicação. Se não conquistarmos nosso espaço, nunca conseguiremos ocupar a posição estratégica que o profissional de RP tem (ou deveria ter, segundo nossos professores) em uma empresa. E aí fica beeem difícil Ser RP.

ou essa do RPalavreando:

Relações Públicas precisa ter voz ativa no contexto do mercado e das organizações. E voz ativa, meus caros RPs, só teremos com informação, conhecimento e atitude. Por tudo isso, convidamos, em nome daqueles que partilharam esta idéia, todos os profissionais, estudantes e simpatizantes das Relações Públicas e da Comunicação Organizacional para, de modo conjunto e compartilhado, concentrarmos informação e conhecimento sobre a nossa profissão no dia 02 de dezembro, construindo uma verdadeira agenda positiva sobre o termo RP nas redes sociais.

mas pode ser simplesmente porque eu não aceito conselhos de comunicação de alguém que mantém uma logo tão bonita, eficiente, de fácil reprodução e sem problemas de aplicação como a do Mundo RP.* Pode ser pelo fato de todas as grandes conquistas do CONRERP tem pra mim, hoje, a mesma importância de uma nova cafeteira.

Mas o fato é que não é de hoje que não simpatizo com a “causa” dos RPs. Não acho que RPs precisem de um dia, nem acho que campanhas de valorização da profissão** tem qualquer efeito válido no mundo real. Talvez eu tenha sido mal influenciado na faculdade; talvez tenha nutrido desde sempre um senso crítico menos refinado, ou talvez seja meio lelé mesmo, mas sinceramente, eu acho que ser um Relações Públicas não é lá nenhuma vantagem competitiva. Ter um diploma de Relações Públicas tem hoje o mesmo peso profissional e poder de alçar sua carreira a níveis mais altos ao de ter um RG com o nome “Genivaldo Silva”.***

Mas ao contrário do que o CONFERP e os ativistas de RP advogam, isso não é culpa das empresas, aquelas entidades malvadas que não nos reconhecem como profissionais estrategistas de comunicação organizacional, não nos dão acesso aos círculos de poder e decisão estratégica, não nos destinam verbas suficientes, não nos deixam agir livremente e sem pedir benção por aí e, por fim, não nos dão os parabéns no nosso dia.

Não, queridos amigos, isso é culpa da qualidade medíocre de 90% dos profissionais de Relações Públicas que se jogam no mercado todos os anos.

Há 2 anos eu mudei de lado do balcão. Deixei de ser empresa e passei a ser fornecedor de serviços de comunicação. E passei a lidar com as pessoas que tomam as decisões estratégicas que os CONRERPS reivindicam como únicas dos portadores do diploma: Administradores, engenheiros, publicitários, economistas, jornalistas, secretárias e até alguns RPs.

E foi aí que confirmei a minha percepção, gente que gosta de resolver problemas vem em todos os tipos e formatos – e diplomas (ou falta deles). E não, empresas não gostam de Relações Públicas.

Empresas gostam de dinheiro, de lucro, e de gente que resolva problemas que virem dinheiro. A formação dessas pessoas vem em segundo lugar, e aquele nomezinho escrito no campo “Cargo” é puramente uma decisão técnica da área de Recursos Humanos, que em geral, pouco ou nada tem a ver com a sua auto-estima. E nesse sentido, as empresas tem razão em não gostar de RPs, pelo menos teriam razão em não gostar de muitos dos RPs que eu conheci nesses 8 anos de mercado, os bem empregados, os mal empregados e os desempregados (de longe o grupo que mais reclama). Meu questionamento, assim como o dos bons gestores é:

“Se você precisa ser reconhecido pelo que escrevem no seu contrato e não pelos resultados que entrega, acho que tem alguma coisa errada aí.”

Então, hoje, dia 2 de dezembro, é dia RP. E daí? E daí nada.

A partir de amanhã, colega, deixe de #mimimi e vire um resolvedor de problemas. O mercado agradece, sua carreira agradece, e as suas chances de chegar perto da direção da empresa aumentarão o suficiente pra você não se importar com os nomes pelos quais as pessoas te chamam, #ficaadica.

Antes de ir, deixo com vocês uma singela homenagem aos RPs desse braziuzão, uma sugestão de hino à causa da classe:

* Níveis críticos de ironia foram atingidos nessa passagem

** Você jura, mesmo, que quer me vender uma campanha de comunicação usando ESSE LAYOUT ?

*** Perdão aos srs. Genivaldos – eu não quis compará-los aos RPs.

An anthropological introduction to YouTube

Vídeo do Prof. Dr. Michael Wesch, sobre o seu curso de Etnografia Digital na Kansas State University:

ainda sobre a barbárie, não na Uniban, mas em todos os lugares

Com o risco de incorrer em exagero, acho tudo parecido com tudo. O sujeito que diz besteiras a uma moça que caminha na rua, o playboy que agarra a garota na balada, o cara que se esfrega na mulher do trem, o marginal que insulta a moça da Uniban. Tudo faz parte de um mesmo contínuo de desrespeito à mulher. Ele começa com o chato do bar, que insiste na cantada apesar de meia dúzia de nãos, e termina… Sabe-se lá onde termina.

Claro, todo comportamento social tem uma justificativa ideológica. Neste caso, a justificativa é a de que as mulheres gostam. Se você perguntar, vai ouvir dos conquistadores que, lá no fundo, elas querem ser assediadas, agarradas, elogiadas com bastante pimenta. Faz bem para o ego delas, explicam. Claro, por trás de todo grosseirão há sempre um especialista na alma feminina. Mas eu suspeito que eles estejam errados.

Retirado de: Cantadas ofendem – Ivan Martins

Não consigo ficar confortável. A sensação é que de algum lugar, vai sair alguém gritando barbaridades para mim. E não importa que não sou mais adolescente, que sou adulta, que já dei bordoada em cara sem noção, que sei gritar por socorro, que sou ativista e que cresci para ser mulher com orgulho e diante de tudo. O medo ainda me impede de sair na rua usando um vestidinho florido, desses que fazem pensar em filmes italianos e crianças.

Por isso eu sei que um crime contra uma mulher é um crime contra todas as mulheres.

Retirado de: Senhor piedade, senhor piedade… pra essa gente careta e covarde

Ambos são trechos de ótimos textos que li ultimamente sobre o episódio Uniban. Em geral, me supreendeu a quantidade de textos ruins, insensíveis ou simplesmente mal-direcionados, que sempre – invariavelmente no caso da imprensa – acabavam por discutir o tamanho da saia da menina, como se esse fosse um fator de alguma relevância.

Esse episódio me deixou um tanto perplexo; temos muito ainda que progredir como sociedade pra que coisas assim deixem de acontecer.

De resto, como bem disse o Juliano Spyer, fica uma lição em tempo real de como não gerenciar uma crise de imagem em tempos de internet.

Mais sobre o futuro do jornalismo

Não se fala de futuro sem falar de internet. Mas na discussão de jornalistas e diplomas às vezes confunde-se o futuro do Jornalismo com o futuro dos Jornalões e Jornalecos.

O excelente post do jornalista Marcelo Träsel traz hoje uma resenha desta reportagem do El País: El futuro de la prensa.

La crisis económica y la revolución de Internet ponen duramente a prueba la industria periodística. Nadie sabe qué va a ocurrir, pero cada vez hay más lectores y los expertos creen en el futuro del periodismo.

Na contramão dos defensores do diploma, o El País traz à tona uma realidade cada vez mais clara: há cada vez mais espaço para pequenos editores/jornalistas e cada vez mais possibilidades de falar/escrever e ser ouvido/lido; e há cada vez menos espaço para mamutes engolidores de dinheiro como as grandes publicações.

Em uma reportagem de leitura deliciosa (coisa rara hoje em dia), o El País mostra um quadro com revolucionários, reacionários e pessoas simplesmente confusas, todos atrás da solução dos problemas do jornalismo, não só o de dinheiro, mas também os de qualidade, credibilidade, influência, abrangência e alcance.

La irrupción de la world wide weben el antiguo imperio del periodismo ha provocado incertidumbre y confusión, sin que nadie tenga muy claro si la toma de esta Bastilla debe de ser motivo de esperanza o de desesperación. El consenso sólo existe alrededor de una gran contradicción: que vivimos en el mejor de los tiempos para el periodismo, y también en el peor.

Ao que me parece, o futuro do jornalismo segue a linha industrial lean: fazer cada vez mais, com cada vez menos gente concentrada na mesma tarefa, com cada vez menos recursos financeiros e cada vez menos tempo. E é aí que entra o papel do novo jornalista: ganhar dinheiro.

A idéia de fazer jornalismo pensando em ganhar dinheiro é real, muito mais real do que o jornalismo “imparcial”, essa ilusão que nos enfiam goela abaixo todos os dias. Foi pra ganhar dinheiro que os jornais se constituíram da forma como estão hoje. E é pra ganhar dinheiro que os novos jornalistas, menos preocupados com o diploma do que com a qualidade da sua produção, re-inventarão o jornalismo aproveitando-se da multiplicidade de opiniões e da facilidade de acesso cada vez maior oferecida hoje.

Está dada a largada: jornalistas ou não, interessados no futuro da informação, lado-a-lado. Ganhará a indústria jornalística,  quem quer que seja o vencedor da disputa: um jornalista diplomado, defensor da sua causa como melhor profissional, ou o outsider que salvou o negócio da comunicação.

E se por acaso o destino reservasse a um engenheiro, ou um astrônomo ou um professor de educação física ser o descobridor da nova arte sustentável de informar com qualidade, abrangência e rentabilidade, seria no mínimo uma injustiça não tê-lo em conta como um excelente jornalista.

keep moonwalking

Na semana em que o mundo está de olho em tudo que tem o nome de Michael Jackson, a rádio Studio Brussel, da Bélgica, deu um olé nas agências de web do mundo inteiro com uma idéia que não pode ser descrita senão como genial, o Eternal Moonwalk: www.eternalmoonwalk.com

O que eles fizeram não é nada simples – mas pode ser descrito numa lista rápida de ítens que eles, intuitivamente ou não, mas muito competentemente seguiram:

Pra que as pessoas se interessem:

  • Crie ou aproprie-se de um fato realmente relevante para o usuário;
  • Tenha uma boa idéia (sim, depois do fato);
  • Crie um nome fácil. auto-explicativo e internacional;
  • Faça uma execução simples e bem-acabada, sem arestas e sem restrições de browsers;
Pra que as pessoas usem:
  • Ofereça controles ridículamente simples e intuitivos. O mesmo número de botões de um liquidificador;
  • Dê ao usuário uma chance não só de participar, mas de criar junto. Ele está lá por causa de MJ não por sua causa;
  • Ensine-o os passos básicos em meia-dúzia de palavras e em no máximo 30 segundos. E não espere que ele os siga;
  • Deixe que o usuário se aproprie da sua criação, colocando o nome e a identificação que ele quiser;
  • Dê a ele todas as formas possíveis e imagináveis de mostrar a sua criação pros outros. Você quer se auto-promover, ele também;
Pra que a ação continue:
  • Não seja ganacioso: colete apenas os dados básicos. Seus usuários te darão mais dados se quiserem;
  • Crie as regras fundamentais de participação. Três são suficientes;
  • Tome os cuidados legais para se proteger. A internet é um mar de espertinhos;
  • Agradeça seus patrocinadores. Manter um serviço na web pode ser muito caro. Você depende deles;
Pra que a ação se espalhe:
  • Dê ao seu usuário um motivo real para usar e indicar a sua ação. Pergunte às pessoas normais o que elas acham daquilo – se você precisar explicar, volte ao princípio da lista;
  • Use seu poder de broadcast. Não dependa do boca-a-boca. Se você pode, bote a boca no mundo;
  • Coloque seu nome de forma visível, mas nao mate a marca. Sua ação é mais importante que você. E seus potenciais clientes vão entender e valorizar isso;

Outra ação sensacional que ilustra um seguimento à risca dessa listinha, mas em prol de um objetivo comercial: www.milcasmurros.com.br

o futuro das escolas de jornalismo

Míriam Leitão fez uma leitura clara e concisa da situação: Pós-graduação e cursos melhores em comunicação

Eu aproveito só pra acrescentar três coisas ao que tinha escrito antes.

1. Se a Fenaj quiser realmente fazer um bem ao país, vai seguir o exemplo da Ordem dos Advogados do Brasil (a quem apela toda vez pra se posicionar sobre o assunto) e implementar uma avaliação muito mais completa do que “com diploma, sim, sem diploma, não”, pra determinar que pode ostentar seu registro de Jornalista Profissional. Com um exame teórico/prático/contínuo bem estruturado, a rixa dos diplomas seria facilmente esquecida.

2. Depois ela pode seguir o exemplo do Conselho Federal de Medicina (a quem se compara em termos de “especialização” da profissão) e levar muito a sério os processos abertos em relação ás más-práticas jornalísticas. O que teria de jornalista perdendo o registro por aí, não tá escrito.

3. Aí ela podia aproveitar a deixa pra incentivar a modernização (eufemismo pra “corrida atrás do prejuízo”) não só dos cursos de jornalismo, mas das redações em geral. Não bastasse a lambança discursiva da briga contra o blog da Petrobrás, que misturou alhos com bugalhos e subverteu inexplicavelmente o próprio código de ética dos Jornalistas em todo o seu Capítulo I, os novos desafios do Jornalismo estão aí e a briga vai ser cada vez mais feia daqui pra frente.

Ainda tá pra aparecer a empresa que entendeu de uma vez por todas como ganhar dinheiro com jornalismo na Internet. E o mercado é cruel, mas é soberano. Portanto, meus senhores, o diploma já caiu – muito antes do STF ter lhe dado o tiro de misericórdia. Voltar nessa discussão é bobagem. Andando pra frente é que a gente constrói o que vai ser da comunicação do futuro.

o diploma, o Jornalista e a diferença entre eles

Esse post foi motivado pela Campanha da Fenaj pela regulamentação da profissão de Jornalista e por uma polêmica levantada outro dia nos comentários do blog da minha amiga Iana. Vou por tópicos pro texto não ficar muito cansativo:

Das profissões

Por que algumas profissões precisam de formações definidas e outras não? Qual é a formação superior necessária para ser um bom Presidente da República? Aliás, precisa-se mesmo de formação superior para ser um bom presidente? Em 120 anos de República, tivemos 9 presidentes militares, 19 advogados, 2 jornalistas, 1 médico, 1 empresário, 1 engenheiro, 1 sociólogo e 1 metalúrgico.

E dou um doce pra quem souber, sem procurar no google, quem eram os 2 jornalistas…

Isso mesmo, Ranieri Mazilli, que governou durante 13 dias em 1961 e o nosso queridíssimo José Sarney, presidente de 1985 a 1990. >> Acho que eu nem precisava continuar esse texto, mas eu sou chato, então vou. hehe…

Pensando bem, se compararmos o Presidente e o Jornalista, qual deles precisa mais de um diploma? Depois de 8 anos governados por um presidente que terminou o 2º grau em um curso supletivo e ainda assim é a 18ª pessoa mais poderosa do mundo e um dos presidentes mais populares do país, fica difícil crer que a profissão de Jornalista realmente demande mais educação formal. Não me entendam mal: não é a necessidade de formação dos jornalistas; é a forma como eles são formados é que compõe o problema. Por isso eu defendo que a qualidade da formação, muito mais do que o diploma, é que deve nortear o registro de Jornalista.

Das necessidades

E assim me posiciono contra a obrigatoriedade do diploma de jornalista. Assim como sou contra a obrigatoriedade do diploma de Relações Públicas e concordo em gênero, número e grau com o ministro Gilmar Mendes quando ele diz que o diploma só pode ser obrigatório em profissões cujo mau exercício ameace a vida e a segurança públicas.

O mau jornalismo pode causar problemas sérios? Pode. E causa. Mas isso tem muito mais a ver com a qualidade da edição dos veículos e com a falta de crítica e formação do público do que com a formação do Jornalista que, principalmente nos grandes veículos, não é mais do que uma peça Chapliniana na engrenagem da máquina de notícias. Tenho certeza absoluta que havia seríssimos Jornalistas formados e diplomados envolvidos na lambança do caso Escola de Base ou no Escândalo das Bicicletas.

Da formação do Jornalista

A meu ver, o que acontece nesse dois casos é uma confusão estranhamente comum: o diploma não é a profissão e a profissão não se resume ao diploma. Em ambos os casos, a justificativa para a manutenção da obrigatoriedade é a necessidade de formação de qualidade ética e técnica para o exercício da profissão.

Então sejamos razoáveis e separemos as duas coisas. Acho que todos acreditamos que a formação que tivemos na nossa faculdade faz de nós pessoas mais éticas e com melhor definição crítica de mundo do que eramos antes. Claro, mas em que isso nos diferencia dos nossos colegas Sociólogos, Cientistas Politicos, Historiadores, Linguistas, Filósofos e Designers (pra ficar no campo das ciências sociais aplicadas)? Pra mim, em nada.

Olhando pelo outro lado, acredito que qualidade técnica de um Jornalista está baseada em alguns critérios fundamentais: técnica de apuração, técnica de redação e técnica de edição. Temos noções de todas elas durante a faculdade, mas com uma grande ênfase na técnica de redação, até porque as técnicas de apuração e de edição só serão aprendidas de verdade no dia-a-dia. E isso é natural. Fazer jornalismo não é uma função simples, tampouco uma questão de fundo teórico; a prática das ruas não é possível de ser aprendida nas faculdades, por mais que jornais laboratório muito bons como “O Marco” sirvam de ajuda.

O campo da técnica de apuração tem, inclusive, mais a ver com a nossa ética e crítica social do que com o exercício diário da notícia. Apurar bem requer os mesmos cuidados de ler e interpretar bem: atenção a detalhes, cuidado com as fontes, cruzamento de informações e muita cautela nas conclusões. Já editar bem requer, no contexto jornalístico atual, muito mais conhecimento da linha editorial do veículo que se representa, suas convicções políticas e sociais e o conhecimento do público-alvo do que qualquer faculdade pode nos apresentar.

Da decisão do Supremo

A decisão do Supremo de retirar a obrigatoriedade do diploma para o exercício é, portanto, válida e muito acertada, do ponto de vista legal. Retira-se não da “categoria” de Jornalistas, mas da exclusividade de “Bacharéis em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo” a exclusividade sobre a produção de textos informativos para os veículos de mídia, ou seja, acaba-se com uma reserva de mercado que não faz sentido, uma vez que a formação necessária para o bom exercício da profissão pode ser alcançada também por outras formas. Por que uma pessoa com sólida formação ética e crítica não poderia se formar em um curso técnico de apuração e redação e tão boa Jornalista quanto qualquer outra? Escrever bem é, no meu entender, o menor dos problemas da formação jornalística. Qualquer pessoa que tenha lido o suficiente na infância e adolescência pode escrever melhor do que um leitor medíocre formado em Jornalismo.

Do futuro

Os Jornalistas tem um sindicato bastante forte e atuante, políticamente inclusive, ao contrário dos Relações Públicas, que se agrupam em conselhos fracos e não-atuantes, que não fazem jus ao seu papel atribuído pelo governo. Em ambos os casos, no entanto, a obrigatoriedade de diploma e registro serve a um único princípio: reservar vagas no mercado de trabalho aos egressos das universidades com essa formação, o que cria, no caso dos Jornalistas, um imbróglio pros não formados, e no caso dos RPs, uma idiossincrasia gigantesca em relação à “quais tarefas são privativas do profissional”, além de alimentar as eternas lutas pelo “fortalecimento da profissão” – como se profissões fortes fossem feitas de discursos, e não de profissionais “de peso”.

Com isso em mente, acredito que resta apenas uma escolha ou direção para os cursos e empresas de Jornalismo: formar sólidas mentes críticas, capazes de raciocinar e analisar contextos e narrativas, personagens e tramas, visões locais e visões globais, atribuindo a elas ainda uma base da técnica de redação, que, como comentei em outro post, reavivou os jornais, ao mesmo tempo que matou a essência da notícia. Nesse sentido, o curso de Jornalismo passa a ser o que todo curso superior deveria ser: um formador de pessoas com foco na produção e análise de notícias, não um formador de profissionais redatores. E é por esse motivo que ele não vai acabar. Porque formar pessoas é importante em qualquer área. Se os cursos de Jornalismo fizerem o seu dever de casa direito, provavelmente passarão inclusive a atrair mais gente, porque convenhamos, formação crítica, salvo raros e brilhantes casos, não é mesmo o forte da universidade brasileira.

Não podemos esquecer que as empresas de mídia são, antes de tudo, empresas. E empresas visam o lucro, e para obtê-lo precisam de qualidade nos seus produtos. E produtos de qualidade não são adquiridos a qualquer preço, nem por qualquer formação. Por isso o diploma de Jornalismo continua a valer. Por isso a formação acadêmica ainda será importante.

E por isso não é necessário temer que o padeiro venha a tomar o seu lugar como Jornalista. Isto é, exceto se o padeiro tiver uma melhor crítica e um melhor texto do que o seu. Aí mermão, tu tá lascado mesmo.

sobre esse assunto, vale a pena ler:

Porque sou jornalista – Iana Coimbra

O diploma e as faculdades de jornalismo – Luis Nassif

Ainda sobre o diploma de jornalista – Luis Nassif

Cai diploma para jornalistas. Comofas? – Marcelo Träsel

STF não sabe o que é jornalismo – Marcelo Träsel

Diploma, pra quê te quero – Marjorie Rodrigues

Advogado e jornalista – Renato Pacca

e uma pá de outros…

posicionamento face à crise

Há muito tempo eu não lia algo tão lúcido em matéria de comunicação interna em momentos crise, para empresas de todos os portes. Saiu em março na Revista Amanhã, uma entrevista com Analisa Brum, diretora da HappyHouseBrasil.

Nesse momento, mais do que gerar muita informação, precisamos nos municiar de comunicação focada, com qualidade e massa específica, que é a única que vai segurar a nossa defesa frente a este cenário.

Manual para voar baixo

O Portal AMANHÃ traz a íntegra da entrevista com a consultora Analisa de Medeiros Brum publicada na edição de março. Para a diretora da HappyHouseBrasil, em tempos de más notícias, a comunicação com empregados exigirá muito dos líderes

Por: Eugênio Esber / Redação de AMANHÃ

Como desembrulhar um pacote de medidas duríssimas em plena época de Natal? Aliás, fazer ou não fazer a festa de confraternização? Em fins de novembro, esses e outros dilemas tumultuaram a agenda de companhias acostumadas a distribuir agrados inesquecíveis a seus funcionários. Foi um período especialmente tenso para Analisa de Medeiros Brum, fundadora da HappyhouseBrasil, uma agência que cuida do relacionamento das empresas com seu público interno. Ao mesmo tempo em que precisava tomar decisões sobre sua própria empresa e os 70 funcionários que trabalham na sede, em Porto Alegre, Analisa tinha de orientar seus clientes – entre eles, mamutes corporativos como Vale e Gerdau, além de Amanco, Braskem e Brasil Telecom, entre outras companhias. Autora do primeiro livro publicado no Brasil sobre endomarketing, tema que já lhe rendeu cinco outro títulos desde 1994, expõe nesta entrevista a AMANHÃ muito do que disse a seus clientes e do que pôs em prática na sua agência em meio ao vendaval do final do ano passado. A conversa, publicada em parte na edição 251 de AMANHÃ, de março, pode ser lida agora na íntegra. Confira.

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