Só fui me lembrar agora, às 23h15 que hoje, dia 2 de dezembro era dia das Relações Públicas e tinha blogagem coletiva, pq eu vi isso em algum lugar. Acho que talvez no Prezados Colaboradores, no Comunicação com funcionário, ou no Blog do Gaulia, mas não estou certo. Foi graças ao twitter de @danielavalverde, curitibana que tenho acompanhado desde sei lá quando, coisa dessas redes que criam interações mas em geral não criam histórias.
Maldita mania essa de comemorar dias específicos pra coisas desimportantes.
Tenho uma carteirinha do CONRERP-MG com o registro número 2172, o que me credencia a me identificar como profissional de Relações Públicas, ao passo que a grande maioria das pessoas que um dia me ouvir pronunciar essa frase me perguntará: e daí?
Pode ser pelo fato de que eu considero o trabalho da Margarida Kunsch um tanto overrated, pode ser porque não gosto de defesas vazias como essa do O Cappuccino:
Então, se não mudarmos a forma como o mercado brasileiro enxerga os profissionais de Relações Públicas estaremos fadados a sermos substituídos por profissionais de outras áreas da comunicação. Se não conquistarmos nosso espaço, nunca conseguiremos ocupar a posição estratégica que o profissional de RP tem (ou deveria ter, segundo nossos professores) em uma empresa. E aí fica beeem difícil Ser RP.
Relações Públicas precisa ter voz ativa no contexto do mercado e das organizações. E voz ativa, meus caros RPs, só teremos com informação, conhecimento e atitude. Por tudo isso, convidamos, em nome daqueles que partilharam esta idéia, todos os profissionais, estudantes e simpatizantes das Relações Públicas e da Comunicação Organizacional para, de modo conjunto e compartilhado, concentrarmos informação e conhecimento sobre a nossa profissão no dia 02 de dezembro, construindo uma verdadeira agenda positiva sobre o termo RP nas redes sociais.
mas pode ser simplesmente porque eu não aceito conselhos de comunicação de alguém que mantém uma logo tão bonita, eficiente, de fácil reprodução e sem problemas de aplicação como a do Mundo RP.* Pode ser pelo fato de todas as grandes conquistas do CONRERP tem pra mim, hoje, a mesma importância de uma nova cafeteira.
Mas o fato é que não é de hoje que não simpatizo com a “causa” dos RPs. Não acho que RPs precisem de um dia, nem acho que campanhas de valorização da profissão** tem qualquer efeito válido no mundo real. Talvez eu tenha sido mal influenciado na faculdade; talvez tenha nutrido desde sempre um senso crítico menos refinado, ou talvez seja meio lelé mesmo, mas sinceramente, eu acho que ser um Relações Públicas não é lá nenhuma vantagem competitiva. Ter um diploma de Relações Públicas tem hoje o mesmo peso profissional e poder de alçar sua carreira a níveis mais altos ao de ter um RG com o nome “Genivaldo Silva”.***
Mas ao contrário do que o CONFERP e os ativistas de RP advogam, isso não é culpa das empresas, aquelas entidades malvadas que não nos reconhecem como profissionais estrategistas de comunicação organizacional, não nos dão acesso aos círculos de poder e decisão estratégica, não nos destinam verbas suficientes, não nos deixam agir livremente e sem pedir benção por aí e, por fim, não nos dão os parabéns no nosso dia.
Não, queridos amigos, isso é culpa da qualidade medíocre de 90% dos profissionais de Relações Públicas que se jogam no mercado todos os anos.
Há 2 anos eu mudei de lado do balcão. Deixei de ser empresa e passei a ser fornecedor de serviços de comunicação. E passei a lidar com as pessoas que tomam as decisões estratégicas que os CONRERPS reivindicam como únicas dos portadores do diploma: Administradores, engenheiros, publicitários, economistas, jornalistas, secretárias e até alguns RPs.
E foi aí que confirmei a minha percepção, gente que gosta de resolver problemas vem em todos os tipos e formatos – e diplomas (ou falta deles). E não, empresas não gostam de Relações Públicas.
Empresas gostam de dinheiro, de lucro, e de gente que resolva problemas que virem dinheiro. A formação dessas pessoas vem em segundo lugar, e aquele nomezinho escrito no campo “Cargo” é puramente uma decisão técnica da área de Recursos Humanos, que em geral, pouco ou nada tem a ver com a sua auto-estima. E nesse sentido, as empresas tem razão em não gostar de RPs, pelo menos teriam razão em não gostar de muitos dos RPs que eu conheci nesses 8 anos de mercado, os bem empregados, os mal empregados e os desempregados (de longe o grupo que mais reclama). Meu questionamento, assim como o dos bons gestores é:
“Se você precisa ser reconhecido pelo que escrevem no seu contrato e não pelos resultados que entrega, acho que tem alguma coisa errada aí.”
Então, hoje, dia 2 de dezembro, é dia RP. E daí? E daí nada.
A partir de amanhã, colega, deixe de #mimimi e vire um resolvedor de problemas. O mercado agradece, sua carreira agradece, e as suas chances de chegar perto da direção da empresa aumentarão o suficiente pra você não se importar com os nomes pelos quais as pessoas te chamam, #ficaadica.
Antes de ir, deixo com vocês uma singela homenagem aos RPs desse braziuzão, uma sugestão de hino à causa da classe:
* Níveis críticos de ironia foram atingidos nessa passagem
** Você jura, mesmo, que quer me vender uma campanha de comunicação usando ESSE LAYOUT ?
*** Perdão aos srs. Genivaldos – eu não quis compará-los aos RPs.
Falei aqui semana passada sobre a coluna aí da direita e as minhas recomendações. Hoje, domingão, resolvi ler mais algumas coisas e acabei caindo, veja você, na minha antiga barra de favoritos, onde eu costumava guardar a lista de blogs que acompanhava em um passado distante.
Revisitar aqueles endereços me deu uma sensação interessante. Havia talvez pouco mais de um ano que eu tinha trocado o Firefox pelo Chrome como browser oficial – troca que desfiz há 2 semanas. Mas há também bons 4 anos (acabei de recuperar meu e-mail de validação – 25 de julho de 2005 – meu deus!*), que eu uso o Bloglines regularmente.
Mas interessante mesmo foi ver quantos daqueles endereços ainda estão ativos, me perguntar por que eles não haviam sido adicionados ao meu leitor regular – qual foi a minha mudança de percepção da importância daqueles blogs quando passei a usar um reader? Fiquei triste com as notícias (em alguns casos, anos atrasadas – viva o armazenamento ilimitado…) de que outros haviam fechado, mas isso é da natureza de escrever, não da internet. Escritores de livros também param de escrever quando perdem seus motivos e deixam obras incompletas que às vezes valem milhões – o que a internet fez foi levar essa possibilidade para os “comuns”, que nunca se aventurariam a escrever um livro, mas que escrevem páginas e páginas online que renderiam bons tomos.
* comentando sobre isso com o Bruno no msn, acabei me lembrando de coisas mais antigas ainda. Em pensar que meu primeiro PC tinha tela de 14″ polegadas com impressionantes 16 tons de cinza e um PC 386 DX2 de 33mhz que tinha um botão turbo pra aumentar pra 66mhz e um negócio estranho chamado Placa de Fax/Modem USRobotics 9600kbps que não servia pra nada. Naquela época não tinha esse negócio de vídeo/audio/modem on-board, todo mundo tinha caixas de floppys de 5 e 1/4″ (depois de 3 e 1/2″). E isso foi antes de o meu pai comprar o nosso primeiro Kit Multimídia (um nome chique pra uma placa interna com caixinhas de som e drive leitor de cd). Lá se vão 16 anos, e esse assunto vai render um próximo post aqui, #fato!
Nunca foi tão fácil e rápido jogar pedras no telhado do vizinho.
Preparar estratégias pensando na nossa capacidade de combate e de resposta inclui, além de formar nossas defesas com base nas informações existentes: não criar polêmicas desnecessárias, não ficar calados, mas não gerar informações novas que não possam ser sustentadas e não usar de terceiros para dar informações institucionais. O risco que corremos não é sempre o mesmo. O apedrejamento pode ser merecido ou imerecido; justo ou injusto; amador ou profissional; massivo ou tímido; não existe fórmula – a única certeza é que o que vem são pedras mesmo, de verdade. Nesse sentido, as ferramentas, inclusive as jurídicas, funcionam somente como o muro que recebe as pedras, mas nunca substituirão as pessoas que pensam e montam a negociação com os adversários.
Resposta da Dafra: usou a tática jurídica e tirou os filmes do ar por infringirem a lei de direitos autorais.
Resultado: os vídeos continuam lá e a campanha continua aumentando. Só o site viralvideochart.com conta mais de 15 cópias e cerca de 250.000 exibições.
Lição: a mesma do vídeo da Cicarelli – era melhor não ter feito nada. Tirar os vídeos do ar ao invés de oferecer uma resposta honesta às críticas só aguça a curiosidade do usuário, além de criar um “desafio” informal pra que o vídeo se reproduza cada vez mais. Se a Dafra tivesse dado uma resposta técnica, diretamente ao usuário inicial, e tirado seu time de campo, a polêmica seria muito menor. Resta saber se ela viu quando a polêmica começou ou se só foi perceber um mês depois. A Dafra converteu o público do youtube em seu inimigo.
Resposta da MPM: Até agora nenhuma, exceto uma declaração de um dos criadores, antes da polêmica, que só aumentou a ira dos comentaristas. Alguns perfis fake foram criados para defender as idéias da MPM, mas como de praxe, foram severamente reprimidos pelos comentários dos demais.
Resultado: O public-bashing continua depois de uma semana só vai morrer quando um fato novo tomar o lugar deste ou quando os formadores de opinião se cansarem.
Lição: Todo cuidado é pouco quando se trata de paixões nacionais – as polêmicas são inevitáveis. Mas quando as críticas chegam de gente “de peso” (como o Mario Amaya) e/ou de projeção (como o Merigo), designers e publicitários respeitados e formadores de opinião, convém não ignorar. Se a MPM tivesse abertamente respondido às críticas, defendendo sua criação ou reconhecendo seus erros, a polêmica teria esfriado no começo da semana passada. O que alimentou os leões foi justamente a falta de um posicionamento claro por parte da agência. Ainda tem gente esperando que ela volte atrás e diga que foi uma pegadinha. O rastro desse episódio é curto, atinge só a comunidade dos “antenados” em publicidade, mas em se tratando de uma MPM, ele não é nada desprezível. A MPM ignorou o seu público e vai sair manchada da história.
Resposta da GM: Nenhuma resposta direta, até agora. Mas a alimentação dos canais de informação foi muito reforçada em 2009, com fatos positivos e negativos, preparando a empresa para o inevitável. a GM mantém blogs da alta direção falando sobre o assunto, ao mesmo tempo em que coloca seus assuntos-chave de produtividade, novos desenvolvimentos e inovação. Entre eles estão:Driving Conversations, dedicado ao público europeu, onde o VP de Comunicação para a Europa fez um comentário muito interessante e honesto sobre a relação da Opel com a imprensa e o Fast Lane, dedicado ao público mundial, mas principalmente dos EUA, onde o CEO anunciou a falência, respondeu comentários e participou de ações interativas, além da participação de outros altos-executivos.
Resultado: Aparte os blogs que insistem em chamá-la de Government Motors, o que, por si só, é uma piada pronta, inofensiva e que já está no ar desde 2008, não deve haver muita repercussão além dos fatos – já que a GM responde aos jornalistas e ao público em geral com eles. Chama-la de Goverment Motors é, no mínimo, uma piada legítima e espirituosa – tenho certeza que o próprio Fritz Henderson riu. Uma empresa com bases sólidas de informação online (o FastLane está no ar desde 2005) não vai sucumbir a ataques momentâneos, por mais pesados que sejam, se a estratégia de reinvenção for mesmo uma realidade.
Lição: Ao que parece, a estratégia da GM é a de continuar no seu caminho, divulgando e dando espaço para contribuições não só de jornais mas tb de blogs na sua pagina, apoiando-se no nome que não vai cair assim tão facilmente e na relevância do material que está publicando. Ao optar pela idéia de reinvenção, a empresa está admitindo que errou durante um tempo (o próprio texto do vídeo diz isso muito claramente) e isso dá a ela, junto à grande maioria da opinião na internet, uma carta meio-branca pra usar – todo mundo gosta de gente e de empresas humildes, principalmente quando elas empregam dezenas de milhares de pessoas e podem dizer sem medo que são inovadoras. Importante dizer que admitir os erros e os defeitos em um único vídeo é bom, mas não gera relevância. O conjunto de pessoas certas falando as coisas certas com frequência é que tem feito o acontecimento. A GM transformou os próprios funcionários e todas as suas ações em veiculadores e trata a mídia como adversária, não como inimiga.
Resposta da Petrobrás: Por enquanto, está rebatendo cada um dos artigos negativos no blog, usando ao máximo as armas da imprensa contra ela.
Resultado: Por enquanto, extremamente crítico por parte da imprensa e positivo por parte da opinião pública, o que vai fazer com que as investigações sejam mais firmes e pesadas, mas que o apoio à empresa está mais sólido por parte da população virtual.
Lição: Existem várias cartas a ser jogadas e essa batalha ainda está no começo. A briga deve estender-se para os domínios da publicidade e tomar contornos econômicos inclusive, um tipo de pressão que a Petrobrás pode fazer sobre a imprensa, mas que provavelmente deixará para último caso, porque pode ser percebida como jogo baixo, algo como o que alguns governos costumam jogar. Ao que tudo indica, a empresa está construíndo uma base sólida de informações, um respositório de defesa visando vencer no ringue uma briga política, antes que ela vá ao tapetão. A reação da imprensa tem sido ainda muito tacanha, acuada, mas pode ser que resolvam em breve sair com alguma grande notícia ou furo que desarme a estatal – nenhuma base de informação está imune a um furo bem dado, e todo mundo sabe que a Petrobrás está longe de ser uma ovelhinha no jogo político. Resta saber como ela está se preparando por trás dos panos pra quando esse momento chegar. A Petrobrás transformou a opinião pública em um aliado e produziu um feito: um veículo chapa-branca com mais credibilidade e apoio do que a imprensa supostamente livre.
Experiente que é em questões de imprensa e polêmicas em geral, a Petrobrás sabia que a notícia da CPI ia gerar muita informação, muita necessidade de resposta e muitos, muitos erros, principalmente em se tratando de uma questão que motiva tantos interesses políticos: governo e oposição querem ser donos do pré-sal e de Tupi e ambos estão de olho em 2010, o governo querendo a estatal como um dos seus estandartes de eficiência e a oposição querendo jeitos de dizer que não é bem assim.
Pois bem. A oposição montou a CPI, que o governo não conseguiu evitar, e começa a confusão. A Petrobrás, sabendo onde isso pode dar, criou um blog para responder às questões de jornalistas e colocar integralmente a sua opinião, escapando dos editores. Está em http://petrobrasfatosedados.wordpress.com .
Fatos que me chamaram a atenção:
1. Agilidade. A CPI ainda não foi instalada por complicações políticas entre Lula, Sarney, Renan Calheiros, Romero Jucá, Aloísio Mercadante e outros. Mas a Petrobrás já montou seu esquema de defesa.
2. Volume. O Blog foi lançado em 2 de junho e já tem 21 artigos publicados – uma ótima forma de criar presença e aumentar o seu ranking como fonte de informação. Não necessariamente continuará nesse ritmo, mas está criando presença e credibilidade em forma de volume de informações.
3. Clareza e assinatura. Na área “sobre o blog” e em todas as perguntas de jornalistas a respeito, informa-se que o veículo é conduzido pela equipe de comunicação da Petrobrás e que o objetivo é esclarecer fatos e publicar opiniões não-editadas pelos jornais. (http://petrobrasfatosedados.wordpress.com/politica-de-comentarios/ )
4. Abertura. Os comentários são abertos e moderados com um critério simples: “O critério para publicação é que não tenham conteúdo ofensivo ou desassociado do tema do site.”
6. Respostas. As respostas publicadas no blog não necessariamente trazem todos os fatos ou questões apresentadas nas perguntas, o que dá margem a interpretações. No entanto, somente a estratégia de publicá-las já ganha amplo apoio do público, como se pode ver na grande maioria dos comentários.
7. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. O fato de o blog ter sido publicado no Wordpress não é mais do que uma iniciativa de separar a discussão do ambiente institucional.
Criar uma base de conteúdos que não esteja diretamente ligada à Agência Petrobrás de Notícias (http://www.agenciapetrobrasdenoticias.com.br/ ) é uma forma de não entupir o noticiário institucional da empresa com informações de “peso” negativo. Ao utilizar uma plataforma acreditada, a empresa se vale da relevância do wordpress e desvia a discussão “pesada” para fora da sua página institucional, onde continua lançando assuntos diversos e de interesse dos leitores não necessariamente interessados na CPI. Já houve uma iniciativa semelhante, em 2008, com o Blog dos 40 anos em Minas, que era hospedado no domínio petrobras.com.br mas separado da área de notícias para não haver confusões (http://www.petrobras.com.br/blogminas/ ).
é um ótimo case para ficarmos de olho nos desenvolvimentos e aprendermos sobre a formulação de estratégias na web para os nosso clientes.