Published on julho 6th, 2009 by admin. Filed under comentários, comunicação, política | Nenhum Comentário
Míriam Leitão fez uma leitura clara e concisa da situação: Pós-graduação e cursos melhores em comunicação
Eu aproveito só pra acrescentar três coisas ao que tinha escrito antes.
1. Se a Fenaj quiser realmente fazer um bem ao país, vai seguir o exemplo da Ordem dos Advogados do Brasil (a quem apela toda vez pra se posicionar sobre o assunto) e implementar uma avaliação muito mais completa do que “com diploma, sim, sem diploma, não”, pra determinar que pode ostentar seu registro de Jornalista Profissional. Com um exame teórico/prático/contínuo bem estruturado, a rixa dos diplomas seria facilmente esquecida.
2. Depois ela pode seguir o exemplo do Conselho Federal de Medicina (a quem se compara em termos de “especialização” da profissão) e levar muito a sério os processos abertos em relação ás más-práticas jornalísticas. O que teria de jornalista perdendo o registro por aí, não tá escrito.
3. Aí ela podia aproveitar a deixa pra incentivar a modernização (eufemismo pra “corrida atrás do prejuízo”) não só dos cursos de jornalismo, mas das redações em geral. Não bastasse a lambança discursiva da briga contra o blog da Petrobrás, que misturou alhos com bugalhos e subverteu inexplicavelmente o próprio código de ética dos Jornalistas em todo o seu Capítulo I, os novos desafios do Jornalismo estão aí e a briga vai ser cada vez mais feia daqui pra frente.
Ainda tá pra aparecer a empresa que entendeu de uma vez por todas como ganhar dinheiro com jornalismo na Internet. E o mercado é cruel, mas é soberano. Portanto, meus senhores, o diploma já caiu – muito antes do STF ter lhe dado o tiro de misericórdia. Voltar nessa discussão é bobagem. Andando pra frente é que a gente constrói o que vai ser da comunicação do futuro.
Published on junho 9th, 2009 by admin. Filed under comunicação, política | Nenhum Comentário
Nunca foi tão fácil e rápido jogar pedras no telhado do vizinho.
Preparar estratégias pensando na nossa capacidade de combate e de resposta inclui, além de formar nossas defesas com base nas informações existentes: não criar polêmicas desnecessárias, não ficar calados, mas não gerar informações novas que não possam ser sustentadas e não usar de terceiros para dar informações institucionais. O risco que corremos não é sempre o mesmo. O apedrejamento pode ser merecido ou imerecido; justo ou injusto; amador ou profissional; massivo ou tímido; não existe fórmula – a única certeza é que o que vem são pedras mesmo, de verdade. Nesse sentido, as ferramentas, inclusive as jurídicas, funcionam somente como o muro que recebe as pedras, mas nunca substituirão as pessoas que pensam e montam a negociação com os adversários.
Alguns exemplos recentes falam por si só:
Dafra – Você por cima
Abril: Dafra – você por cima
Maio: Dafra – você por cima da merda
Resposta da Dafra: usou a tática jurídica e tirou os filmes do ar por infringirem a lei de direitos autorais.
Resultado: os vídeos continuam lá e a campanha continua aumentando. Só o site viralvideochart.com conta mais de 15 cópias e cerca de 250.000 exibições.
Lição: a mesma do vídeo da Cicarelli – era melhor não ter feito nada. Tirar os vídeos do ar ao invés de oferecer uma resposta honesta às críticas só aguça a curiosidade do usuário, além de criar um “desafio” informal pra que o vídeo se reproduza cada vez mais. Se a Dafra tivesse dado uma resposta técnica, diretamente ao usuário inicial, e tirado seu time de campo, a polêmica seria muito menor. Resta saber se ela viu quando a polêmica começou ou se só foi perceber um mês depois. A Dafra converteu o público do youtube em seu inimigo.
MPM – Logomarca de São Paulo 2014
31 de maio: MPM Propaganda – A logomarca de São Paulo na Copa 2014
1º de junho: Mario Amaya: Deixem os logotipos para quem sabe desenhá-los
1º de junho: Carlos Merigo: O temível logo de São Paulo, cidade sede da Copa de 2014
2 de junho: Copa 2014 @ SP REMIX
Resposta da MPM: Até agora nenhuma, exceto uma declaração de um dos criadores, antes da polêmica, que só aumentou a ira dos comentaristas. Alguns perfis fake foram criados para defender as idéias da MPM, mas como de praxe, foram severamente reprimidos pelos comentários dos demais.
Resultado: O public-bashing continua depois de uma semana só vai morrer quando um fato novo tomar o lugar deste ou quando os formadores de opinião se cansarem.
Lição: Todo cuidado é pouco quando se trata de paixões nacionais – as polêmicas são inevitáveis. Mas quando as críticas chegam de gente “de peso” (como o Mario Amaya) e/ou de projeção (como o Merigo), designers e publicitários respeitados e formadores de opinião, convém não ignorar. Se a MPM tivesse abertamente respondido às críticas, defendendo sua criação ou reconhecendo seus erros, a polêmica teria esfriado no começo da semana passada. O que alimentou os leões foi justamente a falta de um posicionamento claro por parte da agência. Ainda tem gente esperando que ela volte atrás e diga que foi uma pegadinha. O rastro desse episódio é curto, atinge só a comunidade dos “antenados” em publicidade, mas em se tratando de uma MPM, ele não é nada desprezível. A MPM ignorou o seu público e vai sair manchada da história.
GM Reinvention
1º de junho: GM Reinvention website | GM Reinvention vídeo
4 de junho: GM Retardation website | GM Retardation vídeo
Resposta da GM: Nenhuma resposta direta, até agora. Mas a alimentação dos canais de informação foi muito reforçada em 2009, com fatos positivos e negativos, preparando a empresa para o inevitável. a GM mantém blogs da alta direção falando sobre o assunto, ao mesmo tempo em que coloca seus assuntos-chave de produtividade, novos desenvolvimentos e inovação. Entre eles estão:Driving Conversations, dedicado ao público europeu, onde o VP de Comunicação para a Europa fez um comentário muito interessante e honesto sobre a relação da Opel com a imprensa e o Fast Lane, dedicado ao público mundial, mas principalmente dos EUA, onde o CEO anunciou a falência, respondeu comentários e participou de ações interativas, além da participação de outros altos-executivos.
Resultado: Aparte os blogs que insistem em chamá-la de Government Motors, o que, por si só, é uma piada pronta, inofensiva e que já está no ar desde 2008, não deve haver muita repercussão além dos fatos – já que a GM responde aos jornalistas e ao público em geral com eles. Chama-la de Goverment Motors é, no mínimo, uma piada legítima e espirituosa – tenho certeza que o próprio Fritz Henderson riu. Uma empresa com bases sólidas de informação online (o FastLane está no ar desde 2005) não vai sucumbir a ataques momentâneos, por mais pesados que sejam, se a estratégia de reinvenção for mesmo uma realidade.
Lição: Ao que parece, a estratégia da GM é a de continuar no seu caminho, divulgando e dando espaço para contribuições não só de jornais mas tb de blogs na sua pagina, apoiando-se no nome que não vai cair assim tão facilmente e na relevância do material que está publicando. Ao optar pela idéia de reinvenção, a empresa está admitindo que errou durante um tempo (o próprio texto do vídeo diz isso muito claramente) e isso dá a ela, junto à grande maioria da opinião na internet, uma carta meio-branca pra usar – todo mundo gosta de gente e de empresas humildes, principalmente quando elas empregam dezenas de milhares de pessoas e podem dizer sem medo que são inovadoras. Importante dizer que admitir os erros e os defeitos em um único vídeo é bom, mas não gera relevância. O conjunto de pessoas certas falando as coisas certas com frequência é que tem feito o acontecimento. A GM transformou os próprios funcionários e todas as suas ações em veiculadores e trata a mídia como adversária, não como inimiga.
Petrobrás Fatos e Dados
2 de junho: Petrobrás lança blog Fatos e Dados
6 de junho: Folha: Petrobrás usa blog para vazar reportagens (para assinantes)
8 de junho: Associação Nacional de Jornais divulga nota de repúdio
Resposta da Petrobrás: Por enquanto, está rebatendo cada um dos artigos negativos no blog, usando ao máximo as armas da imprensa contra ela.
Resultado: Por enquanto, extremamente crítico por parte da imprensa e positivo por parte da opinião pública, o que vai fazer com que as investigações sejam mais firmes e pesadas, mas que o apoio à empresa está mais sólido por parte da população virtual.
Lição: Existem várias cartas a ser jogadas e essa batalha ainda está no começo. A briga deve estender-se para os domínios da publicidade e tomar contornos econômicos inclusive, um tipo de pressão que a Petrobrás pode fazer sobre a imprensa, mas que provavelmente deixará para último caso, porque pode ser percebida como jogo baixo, algo como o que alguns governos costumam jogar. Ao que tudo indica, a empresa está construíndo uma base sólida de informações, um respositório de defesa visando vencer no ringue uma briga política, antes que ela vá ao tapetão. A reação da imprensa tem sido ainda muito tacanha, acuada, mas pode ser que resolvam em breve sair com alguma grande notícia ou furo que desarme a estatal – nenhuma base de informação está imune a um furo bem dado, e todo mundo sabe que a Petrobrás está longe de ser uma ovelhinha no jogo político. Resta saber como ela está se preparando por trás dos panos pra quando esse momento chegar. A Petrobrás transformou a opinião pública em um aliado e produziu um feito: um veículo chapa-branca com mais credibilidade e apoio do que a imprensa supostamente livre.
Published on junho 6th, 2009 by admin. Filed under comunicação, política | Nenhum Comentário
Experiente que é em questões de imprensa e polêmicas em geral, a Petrobrás sabia que a notícia da CPI ia gerar muita informação, muita necessidade de resposta e muitos, muitos erros, principalmente em se tratando de uma questão que motiva tantos interesses políticos: governo e oposição querem ser donos do pré-sal e de Tupi e ambos estão de olho em 2010, o governo querendo a estatal como um dos seus estandartes de eficiência e a oposição querendo jeitos de dizer que não é bem assim.
Pois bem. A oposição montou a CPI, que o governo não conseguiu evitar, e começa a confusão. A Petrobrás, sabendo onde isso pode dar, criou um blog para responder às questões de jornalistas e colocar integralmente a sua opinião, escapando dos editores. Está em http://petrobrasfatosedados.wordpress.com .
Fatos que me chamaram a atenção:
1. Agilidade. A CPI ainda não foi instalada por complicações políticas entre Lula, Sarney, Renan Calheiros, Romero Jucá, Aloísio Mercadante e outros. Mas a Petrobrás já montou seu esquema de defesa.
2. Volume. O Blog foi lançado em 2 de junho e já tem 21 artigos publicados – uma ótima forma de criar presença e aumentar o seu ranking como fonte de informação. Não necessariamente continuará nesse ritmo, mas está criando presença e credibilidade em forma de volume de informações.
3. Clareza e assinatura. Na área “sobre o blog” e em todas as perguntas de jornalistas a respeito, informa-se que o veículo é conduzido pela equipe de comunicação da Petrobrás e que o objetivo é esclarecer fatos e publicar opiniões não-editadas pelos jornais. (http://petrobrasfatosedados.wordpress.com/politica-de-comentarios/ )
4. Abertura. Os comentários são abertos e moderados com um critério simples: “O critério para publicação é que não tenham conteúdo ofensivo ou desassociado do tema do site.”
5. Atenção ao leitor. Apesar de ser um blog criado com o objetivo de confrontar a imprensa, o leitor comum está sendo atendido, tanto em respostas de comentários (ex.:http://petrobrasfatosedados.wordpress.com/politica-de-comentarios/#comment-274 ) como em posts específicos criados a partir da demanda (ex.:http://petrobrasfatosedados.wordpress.com/2009/06/05/esclarecimentos-sobre-o-preco-da-gasolina/ )
6. Respostas. As respostas publicadas no blog não necessariamente trazem todos os fatos ou questões apresentadas nas perguntas, o que dá margem a interpretações. No entanto, somente a estratégia de publicá-las já ganha amplo apoio do público, como se pode ver na grande maioria dos comentários.
7. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. O fato de o blog ter sido publicado no Wordpress não é mais do que uma iniciativa de separar a discussão do ambiente institucional.
Criar uma base de conteúdos que não esteja diretamente ligada à Agência Petrobrás de Notícias (http://www.agenciapetrobrasdenoticias.com.br/ ) é uma forma de não entupir o noticiário institucional da empresa com informações de “peso” negativo. Ao utilizar uma plataforma acreditada, a empresa se vale da relevância do wordpress e desvia a discussão “pesada” para fora da sua página institucional, onde continua lançando assuntos diversos e de interesse dos leitores não necessariamente interessados na CPI. Já houve uma iniciativa semelhante, em 2008, com o Blog dos 40 anos em Minas, que era hospedado no domínio petrobras.com.br mas separado da área de notícias para não haver confusões (http://www.petrobras.com.br/blogminas/ ).
é um ótimo case para ficarmos de olho nos desenvolvimentos e aprendermos sobre a formulação de estratégias na web para os nosso clientes.